Pôster de Central do Brasil
Crítica

Crítica: Central do Brasil

Central do Brasil: a viagem que transforma rancor em afeto sem nunca apelar ao sentimentalismo

5,0
Nota SuperFlix (0 a 5)
Título original
Central do Brasil
Ano
1998
Duração
113 min
Direção
Walter Salles
Roteiro
João Emanuel Carneiro, Marcos Bernstein
Elenco
Fernanda Montenegro, Vinícius de Oliveira, Marília Pêra, Othon Bastos, Matheus Nachtergaele
Gêneros
Drama
País
Brasil

Em resumo: Central do Brasil é um dos filmes mais importantes do cinema nacional e continua emocionante. Fernanda Montenegro e Vinícius de Oliveira formam uma dupla inesquecível numa história simples contada com enorme sensibilidade. Nota máxima. Nota 5,0 de 5.

Sinopse de Central do Brasil

Dora, uma ex-professora amarga, ganha a vida escrevendo cartas para analfabetos na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Quando o menino Josué perde a mãe, ela acaba, quase contra a vontade, acompanhando o garoto numa viagem ao Nordeste em busca do pai que ele nunca conheceu.

Central do Brasil é o tipo de filme que parece pequeno na premissa e enorme no resultado. Walter Salles parte de uma situação simples, uma mulher cínica e um menino órfão na estrada, e constrói um retrato do país que ainda hoje soa atual. A atuação de Fernanda Montenegro, contida e cheia de camadas, sustenta uma história sobre solidão, fé e a possibilidade de recomeçar mesmo quando a vida parece ter endurecido de vez.

Do que trata Central do Brasil?

O ponto de partida é a rotina de Dora, que cobra por carta escrita na estação de trem mais movimentada do Rio. O detalhe cruel é que muitas dessas cartas nunca chegam ao correio: ela as guarda numa gaveta ou simplesmente as rasga. Esse gesto, mostrado logo no início, define a personagem melhor do que qualquer diálogo. É alguém que deixou de acreditar nas pessoas e trata a esperança alheia como mercadoria.

Josué entra nessa vida por acidente, e o roteiro de João Emanuel Carneiro e Marcos Bernstein evita transformar o encontro em fábula edificante. A relação nasce de interesse, culpa e conveniência, e só aos poucos ganha outra natureza. A viagem rumo ao sertão funciona como estrutura clássica de road movie, mas cada parada revela um Brasil diferente, das romarias aos caminhões de mudança, sem que o filme pare para explicar o que mostra.

Por que a atuação de Fernanda Montenegro é tão celebrada?

Fernanda Montenegro recebeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz pelo papel, algo inédito para uma intérprete brasileira, e basta assistir para entender o motivo. Dora poderia ser apenas antipática, mas a atriz deixa escapar, em pequenos gestos, a mulher ferida que existe por trás da casca. Um olhar desviado, uma resposta seca que demora um segundo a mais: tudo comunica sem sublinhar.

O mérito também é do contraponto. Vinícius de Oliveira, então um garoto sem experiência como ator, entrega um Josué teimoso e orgulhoso, longe do estereótipo da criança indefesa. A química entre os dois é feita de atrito, e é justamente por isso que os momentos de ternura funcionam. Marília Pêra, em participação breve como amiga de Dora, acrescenta humor e uma melancolia que ajuda a entender a protagonista.

Cena de Central do Brasil
Imagem: divulgação

O que torna a direção de Walter Salles marcante?

Salles filma o Brasil com curiosidade documental. Os rostos anônimos que ditam cartas no começo do filme dão o tom: o cinema aqui olha para pessoas comuns com atenção rara. A fotografia de Walter Carvalho acompanha a mudança de paisagem, saindo da luz suja e apressada da estação para os espaços abertos do interior, e essa transição visual espelha o que acontece com Dora por dentro.

Outro acerto é o ritmo. O filme não tem pressa para chegar a lugar nenhum e confia que o espectador vai se importar com os personagens sem precisar de reviravoltas. A trilha de Antonio Pinto e Jaques Morelenbaum é discreta e entra nos momentos certos. Central do Brasil ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim e foi indicado ao Oscar de filme estrangeiro, reconhecimentos que ajudaram a recolocar o cinema nacional no mapa internacional.

Vale a pena assistir Central do Brasil?

Sim, e não apenas como obrigação cultural. Central do Brasil é um drama acessível, com história clara e emoção honesta, que funciona tanto para quem conhece pouco do cinema brasileiro quanto para quem já viu muita coisa. É uma boa porta de entrada para a chamada retomada, período em que a produção nacional voltou a ganhar fôlego depois da crise do início dos anos 1990.

Quem procura ação ou trama cheia de mistério talvez estranhe o andamento contemplativo. Mas quem se deixa levar encontra um filme sobre a capacidade de mudar, sobre o peso das palavras escritas e sobre um país que se revela na estrada. Mais de duas décadas depois, poucas obras brasileiras conseguem ser tão universais sem perder a identidade local. É cinema que permanece.

Pontos fortes

  • Atuação histórica de Fernanda Montenegro
  • Retrato humano e sem caricatura do Brasil
  • Road movie com ritmo e emoção bem dosados

Pontos fracos

  • Andamento contemplativo pode cansar quem busca ação
  • Alguns coadjuvantes aparecem pouco

Veredito: Central do Brasil merece nota 5,0

Central do Brasil é um dos filmes mais importantes do cinema nacional e continua emocionante. Fernanda Montenegro e Vinícius de Oliveira formam uma dupla inesquecível numa história simples contada com enorme sensibilidade. Nota máxima.

5,0/5

Perguntas frequentes sobre Central do Brasil

Central do Brasil ganhou o Oscar?

Não. Central do Brasil recebeu duas indicações ao Oscar, de melhor filme estrangeiro e de melhor atriz para Fernanda Montenegro, mas não venceu nenhuma das categorias. O filme, porém, conquistou o Urso de Ouro no Festival de Berlim, um dos prêmios mais prestigiados do cinema mundial.

Quem dirigiu Central do Brasil?

Central do Brasil foi dirigido por Walter Salles. O roteiro é de João Emanuel Carneiro e Marcos Bernstein, a partir de uma ideia do próprio diretor. Salles depois dirigiu outros filmes de estrada, como Diários de Motocicleta, e voltou a trabalhar com Fernanda Montenegro em Ainda Estou Aqui.

Central do Brasil é baseado em história real?

Não. A trama de Dora e Josué é ficcional, criada para o cinema. O filme, no entanto, usa elementos reais do país, como os escritores de cartas que trabalhavam em estações e a presença de pessoas comuns ditando mensagens no início, o que dá à obra um forte tom documental.

Quer assistir filmes como Central do Brasil?

Peça um teste grátis de IPTV pelo WhatsApp.

Teste grátis de IPTV
Peça seu teste grátis