Pôster de Up: Altas Aventuras
Crítica

Crítica: Up: Altas Aventuras

Up: Altas Aventuras usa balões, um cão falante e um idoso ranzinza para falar de luto e recomeço

4,5
Nota SuperFlix (0 a 5)
Título original
Up
Ano
2009
Duração
96 min
Direção
Pete Docter
Roteiro
Bob Peterson, Pete Docter
Elenco
Ed Asner, Jordan Nagai, Christopher Plummer, Bob Peterson, Delroy Lindo
Gêneros
Animação, Aventura, Comédia
País
Estados Unidos

Em resumo: Up: Altas Aventuras é Pixar no auge: divertido para crianças, profundo para adultos e visualmente encantador. Mesmo com uma segunda metade mais previsível, é animação obrigatória. Nota 4,5 de 5.

Sinopse de Up: Altas Aventuras

Carl Fredricksen, um vendedor de balões aposentado e viúvo, decide cumprir uma promessa antiga amarrando milhares de balões à própria casa e voando rumo à América do Sul. O que ele não esperava era levar junto Russell, um escoteiro de oito anos determinado a ganhar sua última insígnia.

Up: Altas Aventuras tem uma das aberturas mais comoventes da história da animação e, mesmo assim, o resto do filme não vive à sombra dela. A Pixar transforma a história de um idoso solitário numa aventura colorida, cheia de humor físico, criaturas excêntricas e uma reflexão madura sobre perda e recomeço. É um filme que crianças assistem pela casa voadora e pelo cachorro que fala, e que adultos lembram por razões bem diferentes.

Sobre o que é Up: Altas Aventuras?

Carl é um homem fechado, preso à casa onde viveu a vida inteira e cercado por obras que querem transformar o bairro. Quando a pressão para deixá-lo chega ao limite, ele decide partir, literalmente, levando a casa pelos ares com uma nuvem de balões. O destino é um lugar remoto na América do Sul com o qual ele sonhava desde a infância.

A viagem ganha um passageiro inesperado: Russell, um escoteiro falante e entusiasmado que aparece na varanda na hora errada. A dupla improvável é o coração da aventura. Ao longo do caminho, eles cruzam com um pássaro gigante e colorido e com Dug, um cachorro equipado com uma coleira que traduz seus pensamentos em palavras, rendendo algumas das piadas mais engraçadas do estúdio.

Por que a abertura de Up é tão famosa?

Nos primeiros minutos, o filme resume décadas de uma vida a dois numa sequência praticamente sem diálogos, guiada apenas pela música de Michael Giacchino. Em pouco tempo, o público entende quem é Carl, o que ele perdeu e por que se tornou tão rabugento. É uma aula de narrativa visual que dispensa explicações, confia totalmente nas imagens e costuma levar o público às lágrimas.

O mais impressionante é que essa sequência não é um enfeite. Ela dá sentido a tudo o que vem depois, da teimosia de Carl ao peso simbólico da casa que ele carrega pelo céu. Sem ela, o filme seria apenas uma aventura divertida. Com ela, vira uma história sobre como continuar vivendo depois que o plano original deixou de ser possível.

Cena de Up: Altas Aventuras
Imagem: divulgação

Up: Altas Aventuras funciona para crianças e adultos?

Funciona muito bem para os dois públicos, por motivos diferentes. As crianças se divertem com o visual vibrante, as perseguições, os cachorros e o humor físico de Russell e Dug. Os adultos percebem o subtexto sobre envelhecimento, solidão e a dificuldade de abrir espaço para novas relações. O filme nunca subestima nenhum dos dois grupos e encontra um tom que conversa com a família inteira na mesma sessão.

O design dos personagens também chama atenção. Carl é praticamente um quadrado, rígido como sua personalidade, enquanto Russell é arredondado e expansivo. A trilha de Giacchino retorna ao tema principal em variações que acompanham a evolução emocional do protagonista. São escolhas discretas, quase invisíveis numa primeira sessão, mas que mostram o nível de cuidado da Pixar em sua fase mais inspirada.

Vale a pena assistir Up: Altas Aventuras?

Sim. Up: Altas Aventuras é uma das melhores animações da Pixar, venceu os Oscars de Melhor Animação e Melhor Trilha Sonora e foi indicado a Melhor Filme, feito raro para o gênero. Também foi a primeira animação a abrir o Festival de Cannes, em 2009. É um filme para rever em diferentes fases da vida, porque cada idade encontra nele uma camada nova.

A ressalva é que a segunda metade aposta numa aventura mais convencional, com perseguições e um antagonista menos sutil e menos interessante do que o drama inicial sugeria. Esse contraste de tom pode decepcionar quem esperava a mesma delicadeza do começo. Ainda assim, o filme nunca perde o fio emocional e entrega um final satisfatório, engraçado, sincero e coerente com tudo o que veio antes.

Pontos fortes

  • Abertura emocionante e quase sem diálogos
  • Humor certeiro com Dug e Russell
  • Trilha de Michael Giacchino inesquecível

Pontos fracos

  • Segunda metade mais convencional
  • Antagonista menos sutil que o resto do filme

Veredito: Up: Altas Aventuras merece nota 4,5

Up: Altas Aventuras é Pixar no auge: divertido para crianças, profundo para adultos e visualmente encantador. Mesmo com uma segunda metade mais previsível, é animação obrigatória.

4,5/5

Perguntas frequentes sobre Up: Altas Aventuras

Up: Altas Aventuras é um filme para crianças?

Sim, é uma animação adequada para crianças, com aventura, humor e personagens carismáticos como o cachorro Dug. O filme, porém, trata de temas como luto e solidão, especialmente na abertura, o que pode emocionar bastante adultos e gerar perguntas dos pequenos.

Quantos Oscars Up: Altas Aventuras ganhou?

Up: Altas Aventuras ganhou dois Oscars: Melhor Filme de Animação e Melhor Trilha Sonora, composta por Michael Giacchino. O longa também foi indicado a Melhor Filme, tornando-se uma das poucas animações a disputar a principal categoria da premiação.

Quem dirigiu Up: Altas Aventuras?

Up: Altas Aventuras foi dirigido por Pete Docter, com codireção de Bob Peterson, que também assina o roteiro e dubla o cachorro Dug na versão original. Docter já havia dirigido Monstros S.A. e depois comandou Divertida Mente e Soul na Pixar.

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